Tu não sabes como me sinto.

Tu não sabes como me sinto (mas também não fazes sequer questão de o saber, não é?). Na maioria dos dias sinto-me tão perdida, tão vazia, sem rumo, sem propósito, sem vontade de sair da cama. Mas saio, mas sobrevivo a cada dia. Por tua causa. Porque sei que precisas de mim, de falar comigo, da minha ajuda. Acontece que tu não sabes como é estar na minha pele, como é viver com uma mente como a minha que trabalha sem descanso, 24/7. Sem parar, sem descansar e sem me deixar descansar.

Parece que não há maneira de simplesmente adormecer e acordar com energia, não há maneira de dormir com vontade e dormir bem mesmo. Não consigo dormir bem. São tantos pensamentos dando encontrões uns nos outros. Uns tentando ter protagonismo, outros apenas me torturando sem justificação aparente. E custa. Custa engolir tudo isto, custa dizer e dar a entender que estou bem, quando não estou.

Não te digo como me sinto, por medo que a tua energia diminua. Ela realmente diminuiu não é? Mas é só comigo, certo? Com as outras, ela não diminui. Como é possível? Sendo que elas te irritam tanto… mas tu as desejas tanto. Pelo exterior, quando irritas-te com o interior. Contudo, só ouvindo os meus problemas, o que me incomoda, o que me tira o sono, o que me tira a vontade de viver, ficas com a energia em baixo. Não te digo por isto mesmo. Não quero de todo ser uma má energia para ti. Continuo sendo uma boa energia (pelo menos, é o penso que sou) e acumulando todo este caos cá dentro, ainda que este esteja a destruir-me por completo.

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No meio da noite, preciso de ti

Ao mesmo tempo que penso em tudo, levando a minha mente à exaustão e deixando que a insônia prevaleça, não penso em nada. É uma confusão de sentimentos e de pensamentos. No meio da noite, entendo perfeitamente do que realmente preciso. No meio da noite, preciso de ti. Ainda que nada me digas, que só estejas cá para apoiar-me, para que te abrace e não me sinta tão só, quanto me sinto.

Preciso que me digas que vai ficar tudo bem, porque quando o dizes, acredito. Acredito sempre que irá haver um dia melhor, se estás a dar-me a mão e a transmitir essa realidade, essa confiança.

Às vezes, é nesta altura da noite, que me apercebo do quanto sou dependente dos outros para poder sentir ou avançar com alguma coisa. Se é mau? Claramente, o é. Ainda que o saiba, também não mudo a minha forma de ser. Por isso mesmo, não posso esperar outro resultado, outra realidade, se não faço nada para que essa perspectiva mude.

Só que no meio desse mar de caos, aonde não me consigo encontrar, a tua mão e a tua voz são as únicas que me conseguem tirar da água, salvar-me de mim mesma. Afogo-me nestes constantes sentimentos e pensamentos negativos, e por mais que queira vir à tona e remar para terra, as pernas e os braços endurecem e não me possibilitam nadar, não me possibilitam lutar para ficar bem, para sobreviver.

Preciso de ti, agora! Preciso que me ajudes, que me tires uma vez mais deste mar imenso. E ainda que saiba que tens sempre a opção de me deixar afogar, que tens tanto poder sobre a minha vida, não me importo. Parece que deixei de me importar com o que quer que seja, quando cá não estás. É este, o poder que tens sobre mim e que provavelmente, sempre o irás ter.

Anular os outros, não faz de ti mais forte

Com o passar dos anos fui entendendo que na vida há quem atropele os outros, destrua os sonhos das pessoas, iguale todos, junte tudo no mesmo saco e saia por aí vitorioso porque já distribuiu o seu veneno diário para continuar com o ego lá em cima.

Acontece que anular os outros não faz de ninguém mais forte, nem tampouco superior a essas pessoas. Na realidade, faz de ti mais uma pessoa sem vida, sem escrúpulos, sem carácter. Faz de ti uma pessoa que só está bem se colocar alguém a chorar ou a sentir-se miserável, quando o único miserável aqui és tu. Sim, tu! Diz-me porquê apenas para que te possa esfregar na cara que já sabia o porquê. E sabes como sei? Porque não é preciso ser muito inteligente ou ter 2 dedos de testa para saber que não és feliz, nem tampouco realizado, com as porcarias que tens ao teu alcance.

Na realidade és apenas um infeliz que tem medo do espelho, que tem medo de falhar, que tem medo que alguém passe por cima pois tem melhores ideias. É por isso não é? É por medo que as outras pessoas sejam como tu e passem por cima. Esqueces-te que nem toda a população é mesquinha como tu. Nem todos precisam anular os outros para poderem crescer, tornar os seus sonhos realidade. Não precisam eliminar indivíduos ou criaturas como tu para poderem triunfar e sabes porquê? Porque essas pessoas ao contrário de ti gostam de ter com quem competir, gostam de ter alguém para mostrar que também são capazes, gostam de ter alguém pelo caminho, ainda que todos estejam a caminhar para o mesmo fim.

É, és mesmo pobre de espirito. Sabes lá tu o que é ser forte, o que é ser bem sucedido, o que é chegar ao fim tendo a consciência limpa. Faz-te um favor: pensa duas vezes antes de agir e mil vezes antes de dizer o que quer que seja, porque tudo o que damos, recebemos em dobro.

Recomeço

Tenho medo de tudo e de nada. Tenho saudades que fui e já não sou. Sinto que tudo o que passou, pouco durou. Que tudo o que senti, nada tive. Que tudo o que agradei, não amei.

Tudo que quis, não tive. Quis saber falar sem chorar. Quis falar de amor, sem me lembrar da dor. Quis ser alguém melhor do que sou. Quis um dia esquecer a vida que escolhi, a pessoa que via no espelho e todas as coisas que fiz e arrependi-me.

Na vida, no amor e na dor, tudo se cruza. Tudo se complementa. Tudo tem um ser, um modo de ser, uma forma interna de agir e de viver. Nem sempre serão encarados da mesma forma. Nem devem ser. São sentimentos e coisas diferentes. Uma vida sem amor e sem dor, não é uma vida. É um excerto do que é o paraíso. Mas o paraíso pode ser cá e já. Nada é impossível, quando o corpo ainda se levanta, quando a alma ainda está insaciável e o coração ainda bate. Há uma vida para agarrar, para correr atrás, para ser vivida ao máximo.

Os erros fazem parte de cada ser humano. O que passou, já é ontem. É apenas uma lembrança do que fiz, mas uma lição do que poderia ter feito. Os passos que dei em seguida, foram pensados minuciosamente devido a isso. Há erros que fazem valer a pena apenas por isso. Por fazerem-nos pensar duas vezes antes de agir perante qualquer situação.

A ingenuidade é algo que muitas vezes faz falta, porque ver a realidade como ela é, nem sempre é fácil. Contudo, não podemos jamais, depois de perdê-la, ignorar o óbvio. Os factos estão lá, por alguma razão. Estamos cá para decidir o que fazer em seguida. O que faríamos antes não interessa. Interessa o que vamos fazer agora. Para tudo há um recomeço. Talvez o meu comece agora.

Às vezes… Amar significa deixar ir

Dava-lhe assim, o último beijo. O nosso último. O beijo que iria finalizar a nossa pequena história.

Fomos tanto em tão pouco tempo. Amaldiçoo-me até por dizer que deveríamos ter levado as coisas com calma, porque talvez, assim tivéssemos durado mais, mas na minha, ainda que imatura consciência sei que cada momento vivido a dois tinha sido intenso, mágico e inigualável. De tudo o que poderíamos ter feito de melhor, para aproveitar a companhia, um do outro tínhamos feito. Mentiria se não mencionasse as nossas discussões malucas que sempre acabavam na minha cama ou na dele, em que num só gesto nos completávamos e tudo ficava bem, de novo.

A verdade é que eu pensava que este amor, esta paixão ardente, iria durar mais tempo – mais tempo do que durou. Poderia não durar pra sempre, porém mais dois anos seriam suficientes. (Ou talvez não.) Talvez nos próximos iria pedir mais tempo. Às vezes, as coisas que duram menos tempo são as que mais nos marcam e a nossa relação não será diferente. Aprendi imenso, gargalhei até a barriga doer, abracei como se não houvesse amanhã e acima de tudo, amei como se nunca fosse acabar a nossa conexão.

Separámo-nos e pela primeira vez, chorei ao vê-lo ir embora, porque sabia que não o voltaria a ter por inteiro, como até então. Contudo, algo que aprendi é que amar alguém também é deixar essa pessoa viver os seus sonhos e ao vê-lo ir para longe, ainda que me custasse, era gratificante. Ele iria em busca dos seus objetivos pessoais e o término tinha sido uma decisão em conjunto. Precisamos estar livres, ainda que o nosso coração esteja unido por mais um tempo, para podermos viver sem restrições ou impedimentos.

Virei as costas. Respirei fundo e segui. Estava na altura de viver por mim, alcançar também os meus objetivos pessoais, longe deste amor que, embora bom, tem de ser esquecido.

Ter tempo

Estou sempre sem tempo. Ando de tempo em tempo, tentando ter tempo para fazer mais, dizer mais, viver mais. Quase sempre digo que não tenho tempo para sair, para conversar, para passear e esqueço-me que quem muito não tem tempo, acaba sendo esquecido. Talvez deixei de ter tempo para viver quando tudo me fez sofrer. Acabei por deixar que o meu tempo se esgotasse, naquilo que não deveria perder sequer meia hora tentando reparar algo que não tinha como reparar.

Às vezes, as coisas não mudam porque continuamos a insistir. Insistir não é mau, mas torna-se quando insistimos com a mesma tática, todas as vezes. Se fôssemos capazes de mudar de tática e continuar insistindo, ou até mesmo de desistirmos, talvez muita coisa mudasse. Ou talvez não, porque todos nós andamos numa correria infinita pelo tempo perdido – tempo esse que não volta e que deveríamos tê-lo aproveitado enquanto era o seu verdadeiro tempo –, deixando que o atual passe em controle do passado.

Nada volta atrás. Não podemos continuar numa maré sem volta, de tentar mudar algo no passado e deixar que o presente nos passe ao lado, sem importância alguma. Não dá para consertar o que deixaste lá atrás, agora aceita isso e concentra-te no que tens em frente de ti. Não percas mais tempo. Agarra-te ao que ainda te faz feliz, ao que ainda te faz aumentar o batimento cardíaco e vive! Vive sem olhar para o relógio, vive sem pensar no ontem ou no amanhã, vive sem regras, deixa fluir e acima de tudo, aproveita todos os segundos, minutos e horas. Vive o que realmente te faz bem.

Não somos feitos de tempo, mas sim de memórias. Aproveita-o para isso, para construir memórias, para que mais tarde possas recordar quando tudo sossegar e essa correria deixe de ser necessária. Agora, fica. Acalma. Respira. Vive. Não apresses nada. Apenas deixa fluir e acontecerá, inesperadamente. Deixa-te surpreender e não corras mais rápido para que chegue mais cedo.

Organiza-te e verás que tens tempo para tudo. Para o que verdadeiramente queres fazer, viver, desfrutar. Basta quereres…

[Quantos de nós, já não dissemos não ter tempo, quando não tínhamos paciência ou vontade?]

Já não existem amores eternos

Numa tarde atípica de outono, onde o calor se fazia sentir, dando a ilusão de estarmos perante verão ardente, estação que passou-nos pelos olhos sem que a víssemos, sentamos-nos no chão, perto da cadeira da minha avó, esperando mais uma história sua.

Era dia de saborearmos a sopa que só ela sabia fazer e o assado no forno de lenha, que teria sempre um sabor diferente, não fosse esse feito no sítio que era, com todo o amor do mundo. Mas, também era dia de desvendarmos um pouco mais sobre a figura maternal, que nos acolhia a cada domingo, com toda uma alegria inigualável e um carinho infinito. Os anos claramente, não se faziam sentir, do nosso lado, pois sempre a víamos como exemplo, com um sorriso nos lábios, com a mesma garra de viver. Ela tinha-nos acostumado bem demais aos seus costumes, ao seu amor, à sua voz e às suas histórias de miúda que tanto pedíamos com sede de saber mais, de aprender também.

Com os telemóveis arrumados – sendo que não havia internet na casa –, o silêncio apoderou-se da sala e com o cheiro da ansiedade e dos chás no ar, esperamos que ela começasse a contar a história que nunca soubemos. Era como um segredo. Só nós saberíamos e teríamos de o guardar. Foi assim que nos tinha dito, quando chegamos.

Foi naquela janela que conheci o amor da minha vida, foi também nela que dei o meu primeiro beijo contido e foi nela que me despedi do amor eterno, que hoje ainda sinto. Começou deixando-nos todos irrequietos. Os comentários e as suspeitas surgiram. Era um segredo de facto. Tinha sido o seu maior segredo até então e agora todos nós partilhávamos isto em comum. Nem os nossos pais sonhavam com algo deste calibre. Contudo, conhecendo a mulher de cabelo grisalho, como conheço, sabia que havia uma boa explicação para um começo tão perturbado.

A história foi-nos contada, surpreendendo-nos por completo. Foi um amor imenso, sentido no seu auge, vivido por pouco tempo, que rapidamente se tornou numa dor difícil de carregar. Mais difícil se tornara, quando a nossa avó fora obrigada a casar com o nosso falecido avô, sendo que estava completamente despedaçada por um amor que não vingou. Foi usada, iludida, magoada. Tal experiência se iguala às experiências que hoje vivemos e temos, aos pontapés.

Já não existem amores eternos. Deixamos de carregá-los quando a nossa dor e o nosso amor se transformam em ódio. Foi mais um ponto que me fez olhá-la com outros olhos: com olhos de pura admiração. Depois do acontecido, ela não o odiava, nem tampouco o tinha esquecido. Continuava a ser o seu amor, o amor da sua vida. Podiam passar cem anos, que sempre assim seria. Ainda que tivesse casado e tido filhos com alguém que amou também, mas nunca com a mesma intensidade.

Hoje em dia, não sabemos o que é amar para sempre. Nem sabemos como é amar sequer. Dizemos algo que não sentimos. Já não sabemos o que é sentir de verdade, por isso esses amores nos parecem algo tão impossível de conseguir, de sentir. Quando é possível, se passarmos a sentir de verdade, a dizer o que verdadeiramente sentimos. Já não existem, em nós, mas quem sabe, se por um acaso, nos esbarrarmos com um?