Simplesmente, para.

Simplesmente, para. Para de me iludir, para de me fazer sentir especial e até feliz. Para de falar de outras comigo, para de convidar-me para fugir contigo, para de me elogiar só quando te dá jeito ou precisas de algo, para de querer fazer de mim o que não encontras nas outras, para de querer mudar-me, para de conversar comigo para que consiga realmente esquecer-te.

Será que não entendes? Será que não entendes o quanto sofro por ti, por cada coisa que fazes e dizes? Alimentas-me de esperanças, quando sabes, perfeitamente, que nunca se irão realizar. E eu sei também. Eu sei que irei sair desta “apenas amizade” com dor, com uma ferida maior do que a que posso suportar. Estou cansada! Cansada que me procures só quando precisas de falar com alguém, cansada de ser o teu escape ou pneu de socorro quando alguém te dá para trás ou simplesmente não é o que pensavas que era, cansada de esperar mais quando me dás menos, quando não me dás nada a não ser dor (essa mesma dor que cansei de sentir). Estou cansada! Entende isso!

Não podes simplesmente desaparecer para o bem da minha sanidade mental? Porque dizes que contigo melhorei, que estou mais feliz, sendo que tens na tua mão a decisão de me deixar infeliz? Sempre estive nas tuas mãos, não é? Sempre gostaste de saborear o quão bom é teres a vida de alguém na tua posse. Só que cansei-me de ser um peão teu e é por isso que peço-te que pares!

Só preciso que pares de me atormentar, de alimentar este amor absurdo que sinto por ti, para que possa ter a minha sanidade mental de volta, para que possa viver em paz. Ajudaste-me muito sim, mas não é por isso que te devo a minha vida e a minha morte.

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Faz por isso

Será que não vês que ela está cansada de desilusões? Cansada de amar e ser rejeitada? Não entendes que está completamente desiludida com o mundo em geral? Que todas as vezes em que se deita, chora e deseja ser uma pessoa totalmente diferente?

Porque achas que se fecha em copas? Que é cheia de segredos, que não sorri e não mostra muito de si? Não é para chamar a atenção, nem são gritos silenciosos. São apenas atitudes de uma miúda que se fartou de remar contra a maré, que se deu por derrotada, que não tem mais forças para remar e voltar a lutar, que deixou de querer amar, que deixou de acreditar em pessoas certas e em felicidade.

A sua lista de desilusões só aumenta de ano para ano, de uma forma estrondosa. Já até pensou que a culpa é sua, por não ser boa o suficiente.

Achas que consegues fazê-la acreditar em tudo isto, de novo? Ou será que vais apenas magoar-lhe e ser mais uma vez uma desilusão na sua vida?

Se não queres ser mais uma desilusão, faz por isso. Não somes mais experiências negativas à sua lista, faz com que seja a última experiência e que seja a melhor da sua vida. Mostra-a que sim, que consegue-se equilibrar tudo. Consegue-se somar sorrisos, gargalhadas, amor. Mostra-lhe que vale a pena dar mais uma oportunidade, que desta será para ser feliz. Fá-la perceber, no final de tudo, que a sua decisão foi a mais acertada e que tinhas razão. Se fores verdadeiramente, a pessoa ideal para si, tudo irá ser fácil de conseguir. Até porque a pessoa certa constrói-se, diariamente. Faz por isso.

#ela (6)

O que esperavas? Diz-me, o que esperavas?! Que ela chorasse para sempre por não te ter? Por não ser recíproco o amor que nutria por ti? Ela tem amor próprio. Sabe quando merdas como tu não valem nem as suas lágrimas. Se não a soubeste dar valor, nem ao seu amor, guardou-o e foi-se embora, sem nem derramar uma lágrima fora.

Achavas o quê? Que eras o único no mundo? Que a esta hora, ainda estivesse a tentar algo contigo? Cresce miúdo. Tu é que pareces estar na primária. Mulher que é mulher sabe o que vale, dá-se valor, sabe que está acima de qualquer homem. Se este não sabe-lhe dar valor então não merece de todo o seu amor.

Pensavas o quê? Que irias partir-lhe o coração e comemorar uma vez mais por isso, enquanto ela chorava por ti agarrada à almofada? Meu caro, ela fez melhor. Agarrou no salto alto e foi para a discoteca dançar. Só foste mais uma merda que passou no seu caminho e teve de desviar-se para não pisar naquilo que não tem valor, nem importância. E sim, é isso que hoje vales: absolutamente nada caralho.

puzzle

Num daqueles dias em que não me apetecia simplesmente estar a deslizar o dedo, para ver o feed fantasticamente falso do Instagram ou Facebook, nem ler um livro, divaguei pelo quarto e abri aquela gaveta das recordações. Tu sabes, aquela onde guardo as polaroids que não se enquadram na minha parede já demasiado preenchida para a minha tenra idade (mas os momentos que a preenchem são tão, mas tão importantes que não os poderia guardar só para mim), as pulseiras dos festivais, os frasquinhos de areia colorida, as pedrinhas brancas que ocasionalmente encontro pela praia ou até as cartas e postais que recebi e escrevi.

Bem, no fundo da gaveta estava o teu último presente. Um pequeno baú branco, com umas folhas subtis pretas nas bordas. Engoli em seco, não sei precisar quantas vezes, antes de abrir a pequena ranhura que me faria lembrar toda a nossa história. Abri, cautelosamente, pensando seriamente se estaria fazendo a coisa certa e as nossas fotos favoritas apareceram. Virei cada uma das polaroid, encontrando algumas frases e palavras soltas. Por vezes, sem sentido, até que na minha cabeça tudo começou a encaixar, como um perfeito puzzle.

Às vezes, perdemos as coisas mais bonitas, por erros tão estúpidos. E eu sei, que irei perder-te, num desses erros. Não me perguntes o porquê, só sei que o sinto, tal como soube que iríamos ter-nos um ao outro. Foi instintivo. Senti. Apenas.

Depois de unir todas as fotografias entendia por fim, que tu já tinhas previsto o nosso futuro. Mas revoltou-me, saber que nada fizeste para impedir o nosso desfecho.

Um dia disseste-me que o nosso futuro é delineado e por mais que queiramos mudá-lo, de uma maneira ou de outra, ele acabará por se concretizar. Não há nada, nem ninguém, que o possa mudar. Podemos mudar a rota, que o destino sempre será igual. Quem me dera que não tivesses razão nisto. Há coisas que não consigo perdoar. Há coisas que não se podem mudar, ainda que quiséssemos, ainda que fizéssemos por isso. E se há coisa que não posso mudar é o nosso fim.

Por todas as vezes

Por todas as vezes em que disse sim ao que deveria ser não, por todas as vezes em que fiquei quando queria ir, por todos os sorrisos que dei quando não me apetecia sorrir, por todas as pessoas que abracei sem afinidade, por todos os seres que fui capaz de amar e de me magoar, por todos aqueles que fui capaz de dar e não receber, por todas as vezes em que insisti nalguma coisa que não tinha volta, por tudo o que comprei sem realmente precisar, em que as noites foram dia, por todas as lágrimas que derramei sem razão de ser, por toda a raiva que contive e não soube explodir.

Por todas essas vezes em que dei tudo e nada recebi, aprendi que cada passo que damos deve ser calculado e pensado ao milímetro. Que cada ação tem a sua consequência. Nem sempre iremos receber na mesma medida em que oferecemos. Nem sempre iremos ser recompensados da mesma forma. Muitas vezes, explodir até é a melhor opção.

Há que saber analisar corretamente todas as situações e decidir perante as mesmas o que fazer, em seguida. Será o certo? O errado? Quem sabe? Se der certo é porque o foi, se der errado, para a próxima tentamos de outra forma. Não há uma regra a seguir. Não há moldes. Há tentativas, erros e acertos. Umas vezes erramos, outras vezes acertamos. Não há probabilidade do jogo ficar viciado. Apenas a nossa estabilidade emocional pode afetar todas as nossas decisões. E é necessário saber colocá-la no seu devido lugar.

Acima de tudo, não devemos arrepender-nos de situações passadas que correram menos bem. Todas elas aconteceram e nos fizeram crescer, quer pela positiva, quer pela negativa. O que importa é a lição que fica, no final. Para todos os problemas, haverão as suas respectivas soluções, ainda que estas não venham tão prontamente quanto esperamos. Para tudo, o seu devido tempo.

Aonde estás agora?

Aonde estás agora que mais preciso de ti? Aonde estás quando estou neste chão frio chorando sem parar? Aonde estiveste quando me disseram o pior? Aonde estiveste quando tive de carregar esta dor e o aviso de não o ter a dar-me pontapés? Aonde estás agora que dói-me tudo e nada tenho? Aonde estás?

Diz-me que vais voltar e que vais abraçar-me. Acorda-me e diz-me que isto é tudo um pesadelo, que nada se passou de grave, que ainda estou grávida do nosso filho e que o coração dele ainda bate aqui dentro. Diz-me que voltas para que possa refugiar-me nos teus braços.

Se isto é um pesadelo, peço que me acordes. Já! Não quero sentir-me oca por dentro, não quero olhar-me no espelho e ver uma barriga flácida que parou de crescer, não quero abrir a porta do quarto dele e ver tudo preparado, mas não tê-lo aqui.

Aonde estás agora?! Não me ouves a gritar de desespero, de dor? Tudo ruiu em mim e eu sei que em ti também. Mas peço-te para que voltes porque juntos iremos conseguir ultrapassar esta dor horrenda. Juntos iremos conseguir apoiar-nos e seguir em frente. Por favor, volta…

Sobre estar sozinha

Coloquei-me naquela pequena janela quadrada do telhado, cruzei os braços e deixei que o vento brincasse com o meu cabelo, como se fosse seu. Todos os sentimentos inundavam-me o peito com ainda mais força, e na minha cabeça os problemas metiam-se na fila enquanto não começavam a disparatar uns com os outros. Estava tudo tão confuso e ao mesmo tempo, eu estava tão calma perante tanta destruição.

Se antes a ansiedade me atacava em todos os momentos, hoje, ainda que seja um momento perfeito para ela aparecer, nem se dá ao trabalho de vir trabalhar no meu corpo conturbado. Ainda que não tenha soluções para todos os problemas, as que tenho não ponho em prática. Deixo para amanhã, para depois de amanhã e nunca resolvo. Não consigo encará-los de frente, porque não tenho coragem nem forças para tal.

Chega a um ponto em que a mente por muito que fale e nos massacre com tudo o que temos fazer fazer, que o coração bata por determinada pessoa, que sangre por essa mesma, não fazemos nada. Deixamos de importar-nos com os nossos próprios sentimentos, dores e feridas que não cicatrizam por falta de cuidado. Ninguém nos colocou no abismo, nem tampouco nos indicou o caminho, somos nós. Andamos, sem gps – porque conhecemos o caminho de cor –, chegamos ao abismo e nos atiramos sem misericórdia, sem pensar duas vezes.

Tudo se resume a um nada. Tudo oco. Tudo em silêncio. Nem os gritos psicológicos conseguimos ouvir. Parece que desligamos do mundo, de nós. É como estar anestesiado. Mexem no nosso corpo, remexem, sentimos de leve as coisas acontecendo, mas não nos mexemos, não sentimos dor. Não sentimos absolutamente nada, ainda que estejamos vivos.

Resume-se a um “dane-se” não dito. Não importa quem ligou, quantos dias não fomos trabalhar, não termos comido ou tomado banho. As pessoas vão deixando de pensar em como estamos por falta de respostas da nossa parte. Não, elas não vão procurar-nos. Estamos longe porque queremos, porque nos apetece. Nada está acontecendo, nada ruiu dentro de nós, nada importa.

Hoje sei tudo sobre estar sozinha. Sobre não ter ombro, a não ser o meu, para deitar. Sobre não ter forças para levantar e ainda assim levantar, porque tem de ser. O tem de ser tem muito por trás. Há uma história de obrigações. Ainda assim, vamos pois é preferível estar na janela e não na cama. É preferível ir trabalhar numa empresa que não gostamos, onde a área não é a nossa, onde todos os colegas querem roubar-nos o posto, onde todos os dias trabalhas por um salário garantido na nossa conta bancária, para podermos pagar a renda e não termos de voltar para a casa dos pais – porque voltar era demonstrar que falhámos, tal como eles previam. É preferível ver quem gostamos com outra pessoa, pois com ela é feliz, mesmo que o nosso coração tenha sido atropelado vezes sem conta. É preferível continuar acordando e respirando, em vez de morrer de uma vez por todas. Porque é sempre preferível morrer aos poucos, como se de uma tortura se trata-se, do que ter uma morte rápida e indolor.

A dor é passageira. Até pode ser. Desde que estou sozinha que é a minha única companhia, por isso peço-lhe que não se vá embora. Podia curar as feridas, mas senti-las a pulsar da infeção dá-me a entender que ainda estou respirando e aprendendo a lidar com a dor. Estar aqui é pior do que estar morta. E ainda assim, cá continuo. Não é por teimosia, é só por vergonha. Vergonha de ser lembrada e no fim, falarem que foi suicídio. É a vergonha que tenho de ser eu mesma a terminar com esta dor avassaladora.

Sobre ser sozinha já sei tudo. No final, não é ser sozinha que me assusta, é estar. É querer falar com alguém e não ter. É querer convidar alguém e não ter esse alguém. É acordar a meio da noite suando, depois de mais um pesadelo e não ter com quem partilhar o desespero. É ter um ataque de pânico e não ter a quem ligar. Eu sempre fui sozinha. Agora, estou também. Não é a vida que me calhou, é a vida que preferi não lutar para melhorar.