Ter-te aqui…

Não há um dia que passe, em que não te queira aqui. Parece que sem ti, nada mais faz sentido. E é estranho sentir-me assim, porque nunca tive algo parecido. É como se um vazio me preenchesse e levasses contigo todas as forças que armazeno.

Quando cá estás, sinto-me leve, feliz, realizado e acima de tudo, completo. Largo-te e tudo desmorona. A cada despedida fica mais difícil. Sempre soubemos disso. No quão complicado seria as saudades, as despedidas e as noites em que nos falamos e tudo parece estar melhor quando estamos aqui. Juntos. Tanto faz se for aqui, se for aí. Desde que estejamos na presença do outro, não há problema que não tenha solução, briga que dure para sempre, aborrecimento ou tristeza.

É difícil não ter-te aqui. Nunca pensei dizer-te isto. Houve uma parte de mim que sempre ocultei, mas não por muito tempo. Preferi mostrar-te o quão doido sou (por ti) e não o homem sentimental que se esconde. Tive medo. Pela primeira vez na vida, tive medo que fosses embora por ser lamechas em alguma ocasião – como estou a sê-lo, neste preciso momento –, porém já me mostraste que isso não te deixará com má visão de mim. Antes pelo contrário. Algo em ti, puxa por mim. Lembro-me bem da nossa primeira conversa, ainda no aeroporto, quando fui buscar-te, no nosso primeiro encontro. Não me faças apaixonar por ti. Foi o que me pediste e não sorriste. Entendi o quanto aquela frase significava. Não te cheguei a prometer nada, lembras-te? Nunca poderia prometer algo que sabia, à priori, que iria acontecer. Assim que olhei-te nos olhos e sorriste-me soube que haveria algo mais forte para unir-nos. Não te prometi coisa alguma, por isso mesmo. As promessas não devem ser quebradas e quando faço uma, cumpro. Ao saber que não iria acontecer isso mesmo, preferi fingir-me de surdo.

Ainda relembro os abraços fortes que dás-me, quando vou buscar-te ou quando vais buscar-me. Os nossos encontros e desencontros são sempre no aeroporto. A distância separa-nos, fisicamente. Não há dia algum, em que não me apeteça fugir para ti. É tudo tão mais simples contigo e ao mesmo tempo, tão mais complicado.

Se me colocaria num avião e faria 2 horas de viagem só para me encontrar com alguém? Jamais. Mas bastou conhecer-te e até isso passou a ser um mero detalhe.

Não foi um erro tudo isto. Não foi um erro apaixonarmos-nos sabendo que a distância sempre iria dificultar-nos o caminho. Apaixonamos-nos mutuamente, diria até que foi ao mesmo tempo. Aconteceu tão rápido. Como um simples abrir e fechar de olhos. Não quero largar-te. Não quero que vás embora, de novo. Fica. Por favor, fica. Se fores, a rotina vai consumir-me, uma vez mais. Será difícil sorrir e sair, sem ti. Não devia pedir-te isto, nem tocar no assunto, mas se nos amamos tanto, porque não deixamos o que temos e passamos a estar perto? Começamos de novo. Noutro lugar. Só tu e eu. Não importa onde. Não penses demasiado. Vive, por favor. Age agora. O que realmente queres? Diz-me que não sou o único que deixaria tudo.

Larguei-te, mais uma vez, a mão, limpaste as lágrimas e viraste-me as costas. Peço desculpa, por ter-te feito apaixonar por mim. Foi a única coisa que disse, ainda trémulo e nesse mesmo segundo paraste. Olhaste-me de realce e não sorriste. Foste embora. Ainda que queira que fiques, precisarás querer primeiro isso mesmo. Precisarás decidir o que verdadeiramente queres. Até lá, resta-me saber lidar com a saudade de ti e com esta vontade absurda de ter-te aqui.

#ela (11)

Ela carrega segurança no olhar, sorri com vontade, é alegre, divertida e feliz. Tem uma voz doce e calma, tranquiliza todos à sua volta, conquista-os (conquista-me) sempre. Com bons conselhos em reserva, abraços apertados e disponíveis a qualquer altura ou hora, gargalhadas fortes e melódicas que invadem e persistem em continuar ecoando nos locais por onde passa. E por onde passa, sempre deixa aquele suspense insaciável no ar, aquela vontade de desvendar mais e de decorá-la para sempre, tê-la ao lado e na memória. Por onde passa, deixa um pouco de si em cada canto. Deixou tanto na minha vida e ainda não consegui lidar com esse feito. Pior, não consigo lidar com a falta de si na minha vida. Presencialmente, como antes.

Queria ter entendido a tempo que poderia perdê-la a qualquer momento por não lhe dar o suficiente, nem o porquê de ficar. Pensava que a conseguiria conquistar com uma perna às costas. Fácil e sem demoras. A conquista foi tornando-se difícil, a cada investida minha, a cada demonstração de egocentrismo da minha parte e até agressividade (por querer tanto tê-la). O erro foi mesmo esse. Achar que ela tinha de pertencer-me, como se de um objeto ou propriedade se tratasse. Foi errado achar que podia tê-la quando é livre e não pertence a ninguém, senão ela mesma.

Esqueci-me de amá-la ao querer possuí-la. Foi como se a quisesse adquirir como um bem material, esquecendo que ela é mulher, não depende de alguém para ser feliz, muito menos deixa que alguém decida a sua vida, as suas decisões. Muito menos, que a tenham como bem adquirido. Foi difícil entender que a tinha perdido para sempre, que nunca a tive verdadeiramente, porém, foi ainda mais difícil compreender o porquê do seu afastamento e despedida. Foi difícil entender o quão otário e nojento fui. Ela merecia mais, nada comparado com o que lhe dei ou tentei oferecer.

Quando saíres por completo de mim.

Lutei tanto, quis tanto, fiz tanto. E ao fazer tudo isso, corri atrás de ti e esqueci-me de mim. Deitei meu orgulho no lixo, esqueci meu amor próprio e corri desenfreada de porta em porta, de esquina em esquina, tentando encontrar-te. De pouco me valeu, pois só me perdi pelos cantos.

Tu nunca foste meu e eu nunca fui tua. Enganei-me tanto a teu respeito que até duvido da minha inteligência, neste preciso momento. Depois de todas as desilusões que passei, depois de tanta dor, ainda consegui ser capaz de me entregar a alguém como tu e deixar-me cegar, sem nem antes negar o meu coração por inteiro (ainda que em pedaços) a quem nem o merecia, por metade.

Talvez o meu erro sempre foi esse. Querer estar inteira num relacionamento, querer entregar-me por completo a uma pessoa quando só recebo parcelas do que dizem ser (e nem o são).

Costumo abrir os olhos dos demais, mostrando claramente que pessoas como tu existem, mais do que pensamos. Eis que encontrei-te numa dessas esquinas e caí também, nessa tua armadilha que, felizmente, terminou cedo.

O que demorou para terminar foi esse meu (te) querer, sempre, a todo o momento, mesmo sabendo que me fazias mal. Levou tempo, mas aprendi, uma vez mais, a guardar o que mais tenho de precioso cá dentro e só mostrar a quem, verdadeiramente, o merece. Foi bom poder cair de novo, poder ver que afinal não estou tão invencível quando pensava. Foi bom ver que, não sou tão boa a descodificar pessoas, como achava que era. Vieste pôr-me à prova e agradeço-te por isso. Agradeço-te ainda mais por teres deixado os cacos no chão, do meu pobre e tolo coração. Guardei-os no bolso, para um dia mais tarde, com tempo, colá-los numa de tantas colagens a que já o submeti.

A dor foi insuportável. Terminou e o meu amor por ti também está esgotando, aos poucos. Quando saíres por completo de mim, posso guardar-te por fim, numa das tantas gavetas azuis que tenho pelo quarto – das que abro para guardar apenas o que não me acrescenta –, para assim me lembrar de ti, para exigir mais de mim e dos outros, porque não mereço metades quando dou tudo, nem mereço menos do que posso ter (e sei que terei).

Obrigada, por teres entrado e saído tão cedo da minha vida, mas acima de tudo, por teres saído e não teres voltado com nostalgia ou pesos de consciência. De ti quero distância e peço que me esqueças.

29.01.19

Ela é como um livro de mistério

A capa do livro diz-nos muito. Interessa-nos, é daquelas que paramos para analisá-la de perto. Ela é assim. Quando a vi passar naquela rua preenchida de caras desconhecidas, algo fez-me voltar atrás para lhe ver o cabelo ruivo a baloiçar com o vento frio de inverno. Vi-a entrar naquele café da esquina, onde nunca tinha ido. Despertou-me uma curiosidade imensa, ainda que não tivesse lido nem a sinopse.

Comecei a frequentar o café. Encontrei-a uma semana depois de lhe ter visto pela primeira vez. Os olhos amêndoa, os dedos arroxeados, em volta de uma chávena de café com chantilly, enquanto tremelicava com as pernas debaixo da pequena mesa redonda. O cabelo caía-lhe sobre os ombros, sobre a sua camisola branca de lã. Estava de saia, com meias pretas e botas da mesma cor. Sorri-lhe ao passar e esta retribuiu o meu gesto, docemente. Avancei e questionei-lhe se podia sentar-me.

Há tantos lugares por aí. Sorri-lhe, uma vez mais. Poderia haver, mas estar ali, na sua frente, era-me mais importante. Nem fizeste um pedido. Clareei a garganta com todas as suas observações. Pedi para encontrar-te e já se realizou. Corou e voltou a sua atenção para o chantilly que devagarinho fazia-se desaparecer no café. Havia muito mais. A sua voz fraca e meio tremida soava-me como se algo em si estivesse sendo destruído ou já estivesse completamente ruído. O fundo dos seus olhos apenas davam-me ainda mais certeza das conclusões a que chegara. A sinopse era de facto, os seus olhos, as suas ações e jeito de estar.

Todas as semanas passamos a encontrar-nos. A cada página que lia, ficava intrigado e ainda assim, curioso e ansioso por mais. Queria poder desvendar mais, abrir umas páginas à frente, porém, não queria ler o fim, sem saber o desenlace. Além do mais, seria confuso demais. Todas as pessoas têm a sua história e cada fase é importante porque as descreve no seu todo e passamos a entender as suas ações, por mais insignificantes que possam parecer a olho nu.

Assim, fui entendendo, de dia para dia, que ela era de facto um livro de mistério (e que curiosamente, éramos iguais, neste aspecto). A cada página uma novidade, uma lição, algo mau e algo bom. Quando pensava que a próxima página ia ter um desfecho melhor, lá ela me surpreendia com algo totalmente do avesso. E era assim a sua vida: misteriosamente, do avesso. A cada dia uma descoberta, uma lição, um amor. Neste último, podia estar orgulhoso de ambos. Com o passar das páginas, nada se tinha alterado e unimos dois mistérios num só. O final? Ainda não sabemos, mas irá ser tão surpreendente como as páginas até agora lidas.

Já não sonho contigo

Acordei. Foi a primeira vez, depois de 2 meses de término, em que não sonhei contigo. Foi a primeira vez, em que não acordei a meio da noite a chorar, porque já não te tinha ao meu lado. É estranho, sabes? De um dia para o outro deixar de fazer planos com a pessoa que nos fez crescer e aprender tanto em 3 anos. É estranho não falar o teu nome com a mesma alegria de antes, com a mesma força, com a mesma segurança. Quando murmuro o teu nome, as pessoas olham-me de lado. Ninguém quer ouvir sequer a menção de ti e custa-me, sabes? Custa-me saber que foste tudo e agora és apenas nada. Um nada na vida das pessoas que temos em comum. Será que para ti também virei um nada?

Sinceramente? Prefiro não saber. Só sei que sempre sonhei contigo. Ainda há 1 dia sonhei. Será que deixarei por completo de lembrar-me de ti? Da tua gargalhada? Do teu sorriso? Da forma como conduzes? Já não te vejo, nem nos meus sonhos. Acho que definitivamente, a nossa história acabou. Da pior forma, mas ainda assim, isto foi o fim. O pior fim de toda a minha pouca existência. É, acho que essa ferida aberta no meu peito, não irá fechar nunca e a dor de não te ter, também não vai cessar ou diminuir. Ela irá continuar. Intacta. Como sempre.

Se pudesse voltar atrás, nunca iria abrir os olhos, porque ter-te tão perto, ainda que em sonhos, faz-me querer viver mais um dia. Agora, tenho a triste e dura realidade de me levantar, sem nem te ter visto.

Cansei-me de ser forte

Há dias que tudo parece cair-nos em cima, e por mais que a nossa vontade seja grande para levantarmos-nos, não há forças suficientes para isso. A verdade é que também cansei-me de levantar, de ser forte, de mostrar estar bem e não estar.

Eu sei que as recaídas são necessárias e que nos tornam mais fortes, mais capazes de suportar males maiores. E mesmo sabendo que haverão imensas recaídas até ao fim de mim, às vezes peço para que pare de doer, para que eu pare de cair, para que nada me puxe para o chão. Muitas vezes, é isso que me faz levantar, ainda que pense que não. O medo de cair sempre nos fará cair. Ainda que pareça que não. Parece que atraímos mesmo isso. Será o meu subconsciente a querer mesmo isso? Será que tento pensar de forma positiva mas as minhas ações demonstram o contrário? O que de facto está errado? O que tem de errado comigo?

Ao mesmo tempo que não quero ser forte, penso em como será se não o for. Ainda que cansados, muitas vezes seguimos ainda assim. Seguimos porque há algo sempre que nos faz ficar, levantar e ir à luta. Há um motivo maior pelo qual continuamos a lutar, ainda que na nossa mente não esteja tão claro isso mesmo. Provavelmente, um dia estará, fará mais sentido do que agora. E nesse dia, o esforço feito até então valerá a pena.

Que doa de uma só vez

Não me peças para dar mais do que já dou. Será que não vês que não consigo dar mais? Se pudesse, dava-te o mundo, as estrelas. Não posso. Dou-te este amor infinito que sinto por ti. Não basta? Será que algum dia irá bastar? Será que algum dia irás deixar de por em causa o quanto gosto de ti?

Dizem que quem duvida, na verdade, nunca acreditou. Nunca acreditas-te no que dizia/digo? Então que espécie de casal somos nós?! Que espécie de ser humano és tu, para continuares a forçar algo que nem sentes? Encostas-me à parede todos os dias, esperando mais e mais, quando nem dás a ponta de um chavelho para o que sinto, para o que te dou. Será que sou mesmo a culpada de tudo isto ou é apenas mais uma vez em que a culpa é tua, mas viras o jogo? É-te tão difícil dizer “desculpa”?! Deve ser, pois não é uma palavra tão banalizada como o “eu amo-te” que dizes-me, todos os dias.

Quem ama, demonstra. Demonstro-te isso diariamente, quando sou retribuída com estaladas e desculpas esfarrapadas. E dizes que merecia pior? É, talvez mereça. Não me basta ter tido a infância dura, não me basta ter tido várias depressões e ter-me tentado suicidar 3 vezes, não basta ter alguém como tu a dormir ao meu lado. E merecia pior? Se mereço, acho que já tenho tudo para que isso aconteça. E queres saber? Que seja rápido. Cansei-me de morrer aos poucos. Se for para doer, que doa de uma só vez. Não dou mais a mínima. Não mais.